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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Desejos de uma quinta-feira qualquer

Eu desejo que você ame, se iluda, sofra, fique triste e pense em desistir múltiplas vezes, pois só quem se entrega, sofre e só quem sofre, vive.
Desejo que você passe tardes assistindo filmes e ouvindo músicas tristes que combinem com seu sentimento, pois você precisa cair antes de se levantar e cada vez que você se levantar estará mais forte e mais resistente às quedas.
Desejo que quando tudo der errado, você permaneça firme, porque toda tempestade tem fim.
Cada lágrima terá efeito de uma cachoeira, toda discussão doerá como uma surra e você não sairá intacto: seu coração vai se despedaçar milhares e milhares de vezes, você terá que costurar os pedaços de novo e de novo e a cada vez, pelo menos uma parte irá sumir, mas as outras ficarão mais fortes.
Seja sua âncora.
Não faça ninguém de suporte, pois todos estão sujeitos a sumir de sua vida.
As coisas vão ficar ruins, depois vão ficar piores e você irá superar e desenvolver uma certa resistência.
Até não sentir mais nada.

sábado, 20 de junho de 2015

Controle

O que fazer quando tudo a sua volta parece desmoronar aos pouco?
Aquele amigo não parece mais o mesmo, é como se todos te culpassem por algo, o passado inunda o presente de uma forma cruel e traiçoeira. Então surge a pergunta: o que fazer nessas horas quando as lágrimas não saem por mais acabada que você esteja? Quando você tem esperança de que o choro lave sua alma, mas sabe, lá no fundo, que não melhora em nada e ainda nos faz ficar com o nariz vermelho?
Contar até dez não adianta. Beber água devagar não adianta. Ouvir aquela música especial não adianta.
E o que eu faço nessas horas? Assumo a raiva, invoco o medo e os controlo. Aquieto-os em meu subconsciente, mas sinto a presença deles. Sinto-os remoendo e se contorcendo, mas os controlo. Isso é auto-controle. Não é superar ou esquecer, é sentir cada coisa de foma necessária. É ter essa presença constante, mas impedir que te preencha e possua. É saber que mesmo que as lágrimas venham, não irão sarar nada, então simplesmente não vale a pena chorar. É canalizar toda negatividade e transformar em algo bom, algo positivo. Afinal, depois tantas coisas ruins, acaba a negatividade e, obrigatoriamente, resulta em algo extraordinário.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Tick-tock

Hoje acordei pensando e acabei chorando.
Chorei por lembrar das coisas e pessoas que, abruptamente, foram tiradas da minha vida.
Coisas que quando olhava, me  emocionavam e proporcionavam um imensurável conforto, hoje não deixam uma sombra do que já foram um dia.
Pessoas que quando você vai para conversar, lembra que não são mais amigas, então escolhe outro caminho para não ter que passar pela pessoa, pois sabe que só de estar perto, faz com que você sinta saudades.
Chorei por aquelas pessoas que o tempo me fez esquecer e hoje lembro, com um nó na garganta, de todas as risadas, piadas, conversas, uma ação, como apostar em um bolão, ou simplesmente ir a casa da pessoa nadar e fofocar o dia todo.
Pessoas que você ensinou viver e se adaptar, e hoje se tornaram tão irreconhecíveis, que nem se olham nos olhos mais.
Chorei por perceber que por mais que você queira parar para respirar, o tempo não dá brechas. Percebi que de nada adianta olhar para o passado com os olhos úmidos, se vamos esquecer de viver o presente e chegar ao futuro.
Mas de qualquer forma, o tempo é cruel. Ele arranca as pessoas da sua vida, mas continua eu tick-tock vicioso, obrigando você e outras pessoas a seguirem em frente.
Hoje acordei pensando em todas as pessoas, coisas e sentimentos que saíram aos poucos da minha vida. Chorei por aqueles que, inevitavelmente, a vida levará embora.
Chorei por perceber a verdade: nada é permanente, tudo se desgasta ou o tempo leva embora, como um castelo de areira construído na beira do mar, é só uma questão de tempo até que uma onda venha e o destrua.
Chorei, mas nenhuma lágrima, de fato, saiu.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Tempo ruim

Hoje o céu chorou, e eu o imitei.
Minha cabeça ficou nublada, meu coração nem sequer viu o sol, meus olhos garoaram, choveram, trovejaram com uma ira impensável. Não pensei nem senti direito, apenas chovi, derrubando árvores, causando enchentes, liberando o caos.
Quando o sol ameaçou aparecer, soprei-o para longe, junto com todos os sentimentos que um dia iluminaram meu ser, ficando envolta em meu próprio furacão embravecido.
Então, repentinamente, o som de uma gargalhada infantil surgiu e logo transformou-se em uma música alegre e contagiante, tentando me fazer ceder à tentação de comemorar. Mas depois de toda destruição pela qual passei e causei, como conseguiria voltar a dançar e cantar alegremente o simples fato de que estou viva, mesmo que um pouco amassada pelas tantas quedas que levamos constantemente?
Tive que tomar uma decisão muito significante, e conforme o sol foi se aproximando, não tive mais medo de sair do meu mundo cinza e ser calorosamente iluminada com todos aqueles sentimentos que ficaram esquecidos nos cantos mais obscuros da minha alma por tanto tempo.
E enquanto fui puxada para fora escuridão, um único pensamento me sustentava: na vida, não interessa quantas vezes você toma um tombo, caindo com várias coisas e sim quantas vezes você foi capaz de juntar o que caiu, levantar e seguir em frente com a cabeça erguida.
Afinal, depois da chuva, há um arco-íris.